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Caso Meredith Kercher – Regresso em força

Após dois meses de férias, o caso volta a estar na ordem do dia em Itália. A última sessão ficou marcada pelo pedido de anulação do julgamento. A defesa argumentou que o acesso a alguns dos documentos contendo informações relacionadas com as amostras recolhidas no local do crime – atribuindo a autoria do crime aos arguidos – não lhes foi concedido a tempo, prejudicando a estratégia da defesa. O juiz Giancarlo Massei rejeitou o pedido afirmando que todos os documentos foram disponibilizados a tempo.
MEREDITH KERCHER – A MORTE
Meredith Kercher, Amanda Knox e Filomena Romanelli partilhavam um pequeno apartamento na Via della Pergola em Perugia. No dia 2 de setembro de 2007, Kercher foi encontrada morta e praticamente nua. As suas pernas encontravam-se afastadas uma da outra, a sua camisa ensaguentada na parte superior, a cabeça virada para a esquerda com os olhos abertos, o osso hióide encontrava-se fracturado e o pescoço apresentava um corte longo e profundo. As perícias efectuadas indicam que foi violada. A família Kercher é representada pelo advogado Francesco Maresca.
MANUELA COMODI E GIULIANO MIGNINI
A acusação continua a defender a tese de que Amanda Knox, Raffaele Sollecito e Rudy Hermann Guede terão tentado convencer Meredith Kercher a participar num “jogo sexual”. A recusa por parte de Meredith terá sido o motivo da sua morte. Rudy Guede já se encontra a cumprir uma pena de prisão pelo crime. De acordo com a acusação, amostras de ADN de Meredith Kercher foram encontradas numa faca apreendida pela polícia no apartamento de Raffaele Sollecito.
CARLO DALLA VEDOVA E LUCIANO GHIRGA
A defesa de Amanda Knox afirmou que «à defesa não foi revelada a forma como os peritos forenses concluíram que o ADN encontrado era de facto o de Meredith Kercher», substanciando que dessa forma é impossível disputar a posição da acusação. Ainda assim Carlo Dalla Vedova disse que não é possível determinar com toda a certeza que a amostra de ADN recolhida pertence de facto a Meredith Kercher, pois a amostra é bastante ténue.
GIULIA BONGIORNO
Advogada de Raffaele Sollecito. Nasceu a 22 de Março de 1966 em Palermo, Itália. Aos 28 anos fez parte da equipa de advogados que conseguiu a absolvição de Giulio Andreotti, o então Primeiro-Ministro que estava acusado do crime de financiamento ilegal de partidos políticos e de ligações à Máfia. Em 2008 foi eleita deputada pela região admnistrativa de Lázio 1 através das listas do “Il Popolo della Libertà” de Silvio Berlusconi.
PATRIZIA STEFANONI
A especialista em genética e biologia forense do Serviço de Polícia Científica da “Direzione Centrale Anticrimine della Polizia di Stato” de Roma foi o alvo preferencial de Adriano Tagliabracci, consultor da defesa de Sollecito e professor de medicina legal na “Facoltà di Medicina e Chirurgia di Ancona” da “Università Politecnica delle Marche” que a acusou de não ter seguido os devidos procedimentos na análise do ADN e de não ter documentado devidamente todo o processo. Em resposta, a acusação afirmou que todos os todos procedimentos em relação à análise do ADN foram devidamente cumpridos.
A FACA MARIETTI
Na próxima sessão será apresentada a alegada arma do crime, a faca «Marietti» apreendida pela polícia no apartamento de Raffaele Sollecito.
FAMÍLIA E AMIGOS
Curt Knox, pai de Amanda Knox e os amigos David Johnsrud e Madison Paxton estiveram presentes na última sessão de julgamento. A próxima sessão está marcada para sexta-feira, 18 de Setembro.
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Caso Meredith Kercher – A possível contaminação das provas

Foto de Darren segundo licença CC-BY-SA 2.0
O Tribunal de Perugia encontra-se oficialmente de férias. O juiz, Giancarlo Massei, os advogados de defesa e os procuradores vão ter direito a dois meses de descanso. Se tem acompanhado o caso, terá que concordar que a justiça italiana consegue ser mais lenta e complicada que a portuguesa.
No sábado, naquela que foi a última sessão antes da interrupção de dois meses, a defesa trouxe e apresentou em tribunal mais um perito para questionar as provas da acusação. Adriano Tagliabracci, professor de medicina legal na “Facoltà di Medicina e Chirurgia di Ancona” da “Università Politecnica delle Marche”, defendeu em tribunal que os vestígios de ADN, pertencentes a Raffaele Sollecito, encontrados na alça do soutien de Meredith Kercher não podem ser admissíveis, pois aquela prova forense pode ter sido contaminada. Curiosamente os referidos vestígios só foram encontrados um mês depois, numa segunda perícia feita no apartamento de Meredith.
“A alça passou das mãos de um perito para as mãos de outro, e entretanto não vemos a troca de luvas. Depois, incrivelmente, a alça é colocada no chão e recolhida, catalogada e armazenada. Os procedimentos além de errados, podem ter levado a que esta importante prova fosse contaminada” – argumentou Adriano Tagliabracci.
Não é a primeira vez que o trabalho da polícia cientifica é seriamente questionado. Recorde-se que Francesco Introna já tinha acusado a polícia italiana de não ter seguido os devidos procedimentos de recolha e armazenamento de ADN.
Amanda Knox, 21, Seattle, e o seu ex-namorado, o italiano Raffaele Sollecito, 25, Giovinazzo, são acusados de terem assassinado a estudante inglesa. Rudy Guede, outro dos acusados, já se encontra a cumprir uma pena de prisão pelo crime.
Amanda Knox despediu-se do tribunal com um “Ciao”.
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Caso Meredith Kercher – As férias chegaram

Foto de zac mc segundo licença CC-BY-SA 2.0
Na sessão de hoje, Amanda Knox surgiu na sala de audiências com um grande sorriso e muito bem disposta. Teve tempo para sorrir para as câmaras de televisão, para as objectivas dos fotógrafos e de mostrar toda a sua boa disposição aos membros do júri. Depois sentou-se e manteve-se distante – muito longe daquela sala de audiências. Haverá ainda alguma hipótese de ser condenada?
Amanhã será a última sessão de julgamento da jovem norte-americana e de Raffaele Sollecito, pois haverá uma pausa de cerca de dois meses. Será que no regresso, em Setembro, teremos a apresentação dos argumentos finais?
Mas passemos para os acontecimentos do dia. Além da mãe e das irmãs, Amanda teve a “visita” de uma prima, Dorothy Nair, que se deslocou de propósito a Perugia para testemunhar em tribunal a favor de Amanda. Na sua intervenção afirmou que na altura dos acontecimentos vivia na Alemanha e que passado uns dias recebeu um telefonema de Amanda que lhe relatou que quando naquela noite encontrou o corpo de Meredith estava com medo que o assassíno ainda estivesse dentro do apartamento. Dorothy afirmou que tentou convencer Amanda a sair de Itália, para que ela ficasse em segurança, sugerindo-lhe que fosse para a Alemanha ou para a Embaixada dos Estados Unidos da América em Roma, mas que Amanda tinha recusado pois pretendia ajudar as autoridades. Foi nesse preciso momento que um dos advogados de defesa se levantou e disse, ironicamente – “como vêm é o típico comportamento de uma assassína”.
Pouco se retira do julgamento de hoje. Tanto o juiz como os advogados, quer da defesa quer da acusação estão mais preocupados em tratar das suas férias. O circo mediático continuará em Setembro.
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Caso Meredith Kercher – Terá o caso da acusação perdido toda a credibilidade?

Foto de Cristiano Pelagracci
O cerco mediático por parte da imprensa norte-americana tem provocado um verdadeiro desnorte na acusação do Ministério Público italiano. Tudo tem sido questionado – as provas forenses, as testemunhas, a seriedade da polícia italiana e até a competência do próprio juiz. Tudo neste caso tomou proporções exageradas, e vários factos tem sido amplamente distorcidos pela imprensa daquele país, que tem utilizado a (inteligente) técnica (usada pela imprensa inglesa no caso Maddie) de descredibilizar o coordenador das investigações, a acusação e o sistema judicial – fazer acreditar que o sistema está viciado. Conseguirá então a imprensa norte-americana “salvar” Amanda Knox? Quanto a Raffaele Sollecito – o jovem que vem de uma importante família de Itália, com fortes ligações económicas aos grupos liderados por Silvio Berlusconi, actual presidente do Conselho de Ministros de Itália – só terá a ganhar com a táctica da defesa de Amanda Knox, a de acusar Rudy Guede pelo homicídio.
Hoje, Eda Mellas, mãe de Amanda Knox, em declarações feitas à imprensa italiana afirmou que “o caso da acusação tem sido amplamente disputado por falta de evidências” e que por isso espera que “ela seja ilibada do crime de homicídio de Meredith Kercher”. Segundo Eda Mellas, Amanda tem aproveitado o tempo que tem passado na prisão para ler algumas obras clássicas e para a aprender alemão, francês e hindi.
As próximas sessões no tribunal de Perugia estão marcadas para 17 e 18 de Julho.
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Caso Meredith Kercher – Perícias forenses na cena do crime (Vídeo)
Vídeo das perícias efectuadas pela “sezione di genetica forense” da “polizia scientifica di Roma” no pequeno apartamento da Via della Pergola, em Perugia, partilhado por Meredith Kercher, Amanda Knox e Filomena Romanelli.
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Caso Meredith Kercher – Prof. Carlo Torre arrasa acusação

Está a ficar cada vez mais difícil para a acusação liderada pelo procurador do ministério público italiano, Giuliano Mignini, defender a tese de homicídio perpretado pelo trio “Amanda Knox-Raffaele Sollecito-Rudy Hermann”.
Carlo Torre, consultor da defesa de Amanda Knox e reputado professor associado na universidade de Turim, responsável pelo laboratório de ciência criminalística do departamento de anatomia, farmacologia e medicina legal daquela universidade, argumentou hoje, no tribunal de Perugia, que a faca que foi utilizada para matar Meredith Kercher é incompatível com a geometria da lâmina da faca que foi encontrada pela polícia italiana no local do crime.
Este especialista utilizou a parte superior de um manequim e duas facas para demonstrar efectivamente como a que foi encontrada pela polícia, com cerca de 30 centímetros, não é compatível com os cortes do pescoço de Meredith. “Na minha opinião, a faca que causou as feridas no pescoço da vítima terá provavelmente cerca de 8 centímetros e não mais do que um centímetro de largura” – afirmou aquele professor. Esta afirmação segue a opinião de Francesco Introna, patologista forense (também a trabalhar para a defesa, como tinha sido reportado anteriormente no CdP: Casos de Polícia), que tinha afirmado em tribunal que a faca recolhida pela polícia não podia ser a arma do crime pois não era compatível com os cortes no pescoço de Kercher. Torre e Introna estão também de acordo relativamente ao número de pessoas envolvidas na morte de Meredith Kercher – “não existem elementos que indiquem que mais do que uma pessoa esteve envolvida”, defendeu Torre.

Meredith Kercher, Amanda Knox e Filomena Romanelli partilhavam um pequeno apartamento na Via della Pergola em Perugia. No dia 2 de setembro de 2007, Kercher foi encontrada morta.
Amanda Knox, 21, Seattle, e o seu ex-namorado, o italiano Raffaele Sollecito, 25, Giovinazzo, são acusados de terem assassinado a estudante inglesa. Rudy Guede, outro dos acusados, já se encontra a cumprir uma pena de prisão pelo crime.
A tese da acusação é a de que Amanda Knox, Raffaele Sollecito e Rudy Hermann Guede terão tentado convencer Meredith Kercher a participar num “jogo sexual”. A recusa por parte de Meredith terá sido o motivo da sua morte. De acordo com o ministério público italiano, Meredith Kercher foi assassinada de forma brutal – “Meredith está de joelhos, Rudy mantém imobilizado o seu braço esquerdo com a sua mão esquerda, enquanto que com a mão direita e talvez com o pénis a tenta penetrar. Sollecito agarra-a do outro lado. Amanda está à sua frente e corta-lhe a garganta com a faca da cozinha”. Rudy Guede foi condenado em Outubro a 30 anos de prisão depois de ter optado por um julgamento rápido.
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Foto de Roberto
O julgamento de Amanda Knox e Raffaele Sollecito continua a decorrer no tribunal de Perugia com um mediatismo exagerado. A estratégia da defesa, de que Rudy Guede terá sido o único responsável pelo crime, conta com mais uma colaboração de peso.
Francesco Pasquali, perito criminal retirado e agora consultor contratado pela defesa de Sollecito, apresentou ontem no tribunal um vídeo onde tenta demonstrar que a pedra encontrada no local do crime (que o ministério público italiano afirma ter sido usada por Knox e Sollecito para depistar a polícia), podia perfeitamente ter sido atirada da parte de fora e não da parte de dentro como defende a acusação.
De acordo com Pasquali, Amanda Knox e Raffaele Sollecito não simularam qualquer invasão. O perito criminal recriou as supostas condições que existiam no momento da alegada invasão e analisando a trajectória da pedra defendeu que “pode excluir-se o cenário em que a pedra é atirada da parte de dentro”. A defesa alega que as persianas poderiam encontrar-se fechadas naquele momento. A guerra Knox & Sollecito versus Guede continua a aquecer a pequena cidade italiana.
Hoje está prevista mais uma sessão. As próximas sessões estão marcadas para 6 e 8 de Julho.
Meredith Kercher, Amanda Knox e Filomena Romanelli partilhavam um pequeno apartamento na Via della Pergola em Perugia. No dia 2 de setembro de 2007, Kercher foi encontrada morta.
Amanda Knox, 21, Seattle, e o seu ex-namorado, o italiano Raffaele Sollecito, 25, Giovinazzo, são acusados de terem assassinado a estudante inglesa. Rudy Guede, outro dos acusados, já se encontra a cumprir uma pena de prisão pelo crime.
A tese da acusação é a de que Amanda Knox, Raffaele Sollecito e Rudy Hermann Guede terão tentado convencer Meredith Kercher a participar num “jogo sexual”. A recusa por parte de Meredith terá sido o motivo da sua morte. De acordo com o ministério público italiano, Meredith Kercher foi assassinada de forma brutal – “Meredith está de joelhos, Rudy mantém imobilizado o seu braço esquerdo com a sua mão esquerda, enquanto que com a mão direita e talvez com o pénis a tenta penetrar. Sollecito agarra-a do outro lado. Amanda está à sua frente e corta-lhe a garganta com a faca da cozinha”. Rudy Guede foi condenado em Outubro a 30 anos de prisão depois de ter optado por um julgamento rápido e deverá ser uma das próximas pessoas chamadas a testemunhar neste caso.
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Foto de Silvia Capponi
Já de volta a Portugal após uns dias em Ancona e Perugia, volto com a sensação de que a nova estratégia dos advogados de Amanda Knox e Raffaele Sollecito poderá mudar o curso de todo o julgamento.
A última sessão trouxe o testemunho de Francesco Introna, um patologista forense contratado pela defesa. Introna afirmou que Meredith Kercher terá sido atacada apenas por uma pessoa e não por três como defende a acusação liderada pelo procurador do ministério público italiano, Giuliano Mignini.
Francesco Introna acusou ainda a polícia italiana de não ter seguido os devidos procedimentos de recolha e armazenamento de ADN, o que, segundo este especialista, poderá ter levado a uma contaminação das amostras que foram recolhidas no apartamento partilhado por Amanda Knox e Meredith Kercher. Introna afirmou ainda que a faca recolhida pela polícia não pode ser a arma do crime pois não é compatível com os cortes no pescoço de Kercher.
Na sexta-feira surgiu ainda uma importante contribuição para a defesa de Amanda Knox, liderada por Luciano Ghirga. Uma das últimas pessoas chamadas a testemunhar, a proprietária de uma escola de enfermaria, afirmou que Rudy Guede invadiu aquele espaço e roubou uma faca, apenas dias antes da morte de Kercher. A defesa de Amanda Knox segue agora a estratégia de que Rudy Guede terá sido o único responsável pelo crime. Sendo Guede um pequeno traficante de droga a questão da credibilidade poderá dar alguns pontos à defesa.
Continuando na mesma linha, a defesa chamou Paolo Brocchi, um solicitador local, que descreveu a forma como um intruso invadiu o seu escritório, partindo a janela com uma pequena pedra, e posteriormente roubando um telemóvel e um computador portátil. Uns dias mais tarde Rudy Guede era detido pela polícia pela invasão à escola de enfermaria e detido na posse dos referidos bens.
Luca Maoria, um dos advogados que representa Raffaele Sollecito não deixou escapar a oportunidade e afirmou que o “modus operandis” utilizado por Rudy Guede é semelhante ao que foi utilizado na invasão do apartamento de Knox e Kercher.
Amanda Knox, 21, Seattle, e o seu ex-namorado, o italiano Raffaele Sollecito, 25, Giovinazzo, são acusados de terem assassinado a estudante inglesa Meredith Kercher. Rudy Guede, outro dos acusados, já se encontra a cumprir uma pena de prisão pelo crime.
A tese da acusação é a de que Amanda Knox, Raffaele Sollecito e Rudy Hermann Guede terão tentado convencer Meredith Kercher a participar num “jogo sexual”. A recusa por parte de Meredith terá sido o motivo da sua morte. Rudy Guede foi condenado em Outubro a 30 anos de prisão depois de ter optado por um julgamento rápido e deverá ser uma das próximas pessoas chamadas a testemunhar neste caso.
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Amanda Knox no tribunal de Perugia
Aqui em Perugia o tema central de todas as conversas é Amanda Knox, a “face de anjo”. Os italianos com quem falei já fizeram a sua sentença – “Colpevole”. Para todos eles Amanda Knox é culpada, “mentirosa” e “manipuladora”. Até no “Zafferano” se ouve bem alto que “a rapariguinha pensa que pode enganar tudo e todos”.
O julgamento decorre de forma lenta, fazendo lembrar a justiça portuguesa. Em Julho haverá uma pausa de 2 meses. Outubro poderá trazer as alegações finais por parte do procurador do Ministério Público italiano, Giuliano Mignini, mas também ficará marcado pelo facto de Amanda Knox e Raffaele Sollecito completarem 2 anos de encarceramento.
Depois de chegar a Perugia vinda de Ancona, encontrei na Via Pinturicchio Cácio Nery, um turista brasileiro de São Paulo, que me confidenciou que “já tinha lido na imprensa brasileira sobre o caso”. Cácio estava admirado com o impacto do caso na pequena cidade italiana – “seja num bar ou no hotel, todo o mundo só fala da garotinha. Em todo o lado existe um clima de estresse e vingança”.
Na Piazza Italia encontro finalmente um português. Miguel Monteiro, estudante ERASMUS de Castelo Branco, tem acompanhado o processo na imprensa local. Miguel diz-me que “o problema de tudo isto é que começam a surgir interesses nacionalistas mesquinhos. Os ingleses querem a americana na prisão, os americanos acusam a justiça italiana de perseguição e os italianos acusam os estrangeiros de trazerem a violência para Perugia. Tá tudo doido”.
Amanda Knox, 21, Seattle, e o seu ex-namorado, o italiano Raffaele Sollecito, 25, Giovinazzo, são acusados de terem assassinado a estudante inglesa Meredith Kercher. Rudy Guede, outro dos acusados, já se encontra a cumprir uma pena de prisão pelo crime.
A tese da acusação é a de que Amanda Knox, Raffaele Sollecito e Rudy Hermann Guede terão tentado convencer Meredith Kercher a participar num “jogo sexual”. A recusa por parte de Meredith terá sido o motivo da sua morte. Rudy Guede foi condenado em Outubro a 30 anos de prisão depois de ter optado por um julgamento rápido e deverá ser uma das próximas pessoas chamadas a testemunhar neste caso.
Na passada terça-feira, foi a vez da audição de Pasqualino Coletta, uma das testemunhas deste caso. Pasqualino visitava a cidade de Perugia na “noite do crime” quando teve uma avaria no carro perto do apartamento que Amanda e Meredith partilhavam. Pasqualino afirmou em tribunal não ter visto ou ouvido nada de estranho enquanto esperava por um reboque, entre as 22:30 e as 23:00 da noite de 1 de Novembro de 2007.
Amanda Knox e Raffaele Sollecito têm hoje, no tribunal de Perugia, mais uma sessão de julgamento.
Não perca em exclusivo no CdP o desenvolvimento do caso Meredith Kercher.
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