Casos de Polícia

Defesa, Segurança, Investigação, Criminalidade & Inteligência (Espionagem)

A Falácia

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documento

Foto de davidsilver segundo licença CC-BY-SA 2.0

O jornal “Correio da Manhã” publica na edição de hoje a primeira parte de um documento intitulado “A Falácia” que terá sido, alegadamente, dinamizado por Teófilo Santiago, histórico da Polícia Judiciária.

Depois do regresso de Cabo Verde, onde foi o  “liaison” da PJ com as autoridades locais, Teófilo Santiago voltou a Aveiro para assumir o cargo de coordenador superior do Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária de Aveiro.

Sofia Afonso

“Fala-se cada vez mais de prevenção, mas Portugal continua a ser uma sociedade culturalmente punitiva. Nas ultimas décadas tem sido sistematicamente valorizada uma intervenção repressiva, em que a investigação criminal parece ser o milagroso remédio para todos os males, esquecendo-se que a primeira linha do combate à criminalidade é a actuação preventiva que decorre do tão publicitado policiamento de proximidade, da interacção com o meio social, da presença dissuasora, da fiscalização, do patrulhamento sistemático e da efectiva ocupação e controlo dos bairros problemáticos, impedindo a tempo a formação de guetos que encorajam o mito da inexpugnabilidade e da impunidade junto da delinquência juvenil.

É assim que se reafirma o princípio da autoridade do Estado, gerando segurança e reduzindo as taxas de incidência da criminalidade peri-urbana violenta e grupal.

Mas em Portugal espera-se que o crime aconteça, pouco ou nada se fazendo para o dissuadir ou evitar. E perante a sua ocorrência, concentram-se inauditos meios para uma afirmação ritualizada e catártica da autoridade do Estado, quase sempre exercida de forma desproporcionada e mais apostada na exibição de meios, (mesmo que à custa de direitos fundamentais dos cidadãos) do que na resolução de problemas.

Tem algo de irracional e atávico esta tendência para esmagar o mal que está feito, deixando de impedir ou pelo menos minimizar aquele que se anuncia!

As forças de segurança portuguesas não se revêem, de facto, nos nobres e pacientes desígnios da prevenção criminal. Preferem o efeito instantâneo e inebriante da exibição mediática, mesmo perante a evidência de que os efeitos de tal estratégia, ao contrário de desencorajar, estimulem e espicacem a delinquência juvenil.

Nesta linha de actuação, temos unidades de polícia especiais, altamente especializadas e equipadas para agir debaixo de água, no ar ou em qualquer inimaginável circunstância de elevado risco.

Criam-se e anunciam-se, com alegados objectivos de ‘prevenção’, unidades de intervenção rápida, cujo papel é simplesmente aguardar que o crime aconteça!

Mas não temos polícias (simples polícias…) para patrulharem as ruas e ajudarem a resolver o drama de milhares de cidadãos, vítimas de uma criminalidade de massas que, numa escalada de violência e de vandalismo, actua impunemente. E isto, não obstante sermos um dos membros da UE com maior número de polícias/per capita e, seguramente, o primeiro em investigadores criminais/per capita.

Perante a irracionalidade e a inoperância de tal estratégia, num quadro de generalizada crise económico-social, é evidente que a criminalidade cresce e o medo e a instabilidade induzida pela sua espectacular revelação cresce também.

Alguns observadores, analistas, especialistas, fazedores de opinião (e os que acumulam) procuram encontrar no meio de todas as causas que conduziram a esta ’situação insuportável,’ a principal delas, ou seja, a falta de coordenação entre as polícias e, também, o funcionamento dos tribunais.

A alegada falta de coordenação entre polícias (ou descoordenação como alguns preferem chamar-lhe), constitui uma falácia argumentativa, gasta e cansada, testemunho de uma originalidade genética que nos limita e apouca! Adoramos intrometer-nos no trabalho e nas competências dos outros, ainda que para isso tenhamos de deixar de cumprir as nossas!”

2 Respostas

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  1. “Dividir para Reinar”

    A. Lopes

    Julho 17, 2009 em 5:03 pm

  2. ja acabaram com a elite da gnr, ou seja a bt,,,era corrup…ate mais nao…kem e k nao sabia…..agora kerem acabar, ou seja unificar as policias, o que esta muito bem feito,,, ou ainda duvidam que a divisao favorece a chulagem de quem manda e pode perder o tacho….ou ainda pensam na competencia…isso e para rir e ser aceite pelos parolos

    xik

    Julho 19, 2009 em 5:02 pm


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